quinta-feira, 22 de abril de 2010

Guerreira

Ela o encontrou perdido, doente e confuso. Partiu para batalha, carregando o enfermo por um longo caminho.
Luta que durou mais de um ano; enfrentou a dor, a falta de tempo e a família, que ficava em segundo plano diante da doença de nosso irmão.
Enfrentou longas filas correndo de lá pra cá, arrumando documentos, exames, empurrando a cadeira de rodas, onde ele ficava quietinho sem reclamar.
Mas, esta guerreira não abandonou o campo de batalha, mesmo quando as dores eram suas. Guerreira danada, enfrentou a luta até o fim.
Depois que ele partiu, já podia dormir tranqüila, com a alma serena e a certeza de ter feito a sua parte. Muito obrigado, Anete, por sua dedicação.
Não colocarei todos os nomes, mas cada um sabe que fez a sua parte. À dona Eunice, o anjo que cuidou dele com carinho, um ser humano maravilhoso, o nosso muito obrigado.

Auta Leal

Insônia

Insônia
Uma hora da madrugada, estou sem sono. Vou para cozinha, tomo um copo de leite e tento escrever.
Porém, meu sono, minhas idéias e inspirações estão adormecidas.
É , estou acordada, ouvindo apenas o tic tac irritante do relógio, que me conta cada segundo, cada minuto.
O silêncio é enorme, os ruídos são mais perceptíveis. Fico a escutar a minha alma, que está inquieta, não sabe por que. Ela não sabe o motivo de sua angústia.
As horas vão passando, o tic tac continua e eu acordada. Tento escrever e nada, apenas uma longa noite para enfrenta sem sono, sem idéias.
O tempo passa e passa. Passou, já é manhã. Faço o café e começa tudo de novo. Um novo dia está por vir, não posso desanimar diante desta bela manhã de sol.

A vendedora de tapetes

O interfone toca: é uma senhora. Bem arrumada e em um belo carro, veio indicada por uma vizinha; convidei-a para entrar. O sol estava a pino, entrou elogiando a casa, o piso, o jardim, e logo surgiu o real motivo de tanta delicadeza: queria mostrar tapetes persas que haviam sobrado de uma exposição.
Com ótima técnica de persuasão, a senhora foi abrindo os tapetes na sala; sem nem um compromisso, afirmou. Já havia lhe dito que não poderia comprar. À medida que expunha os tapetes foi estipulando os preços, que foram caindo, caindo.
Foi aí que ela se deu mal, ao tentar me convencer que todas minhas vizinhas haviam comprado e só eu não teria o famigerado tapete - o que para mim não tinha a menor importância.
Ter um tapete persa não e o tipo de preocupação que me faz ficar sem dormir. Eram lindos de fato, porém, para mim não eram necessários. Eu continuo muito feliz, mesmo sem um tapete persa.
Como não conseguiu me convencer, a mulher mudou. Neste momento ela falou que eu jamais teria um tapete persa em minha sala, e que o meu estava um traste.
Ela saiu pisando duro e falando, com muita grosseria, que eu jamais teria outra oportunidade como essa.
De fato, fiquei muito amolada, de não ter outra oportunidade de mandar aquela portuguesa para o inferno ou para...

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